domingo, 25 de maio de 2008

Quem...

Quem sabe ele seja fruto de mim
De minha imaginação fértil
e de minhas carências muitas
Seja filho das minhas vontades
e reflexo das minhas esperanças

Quem sabe eu fale sozinha
e escute a mim mesma
Escute o que me agrada
Sou eu quem o faz

Quem sabe ele não exista
e eu o invente, crie, molde
Ele é o que eu quero ter
o que eu desejo ser

Quem sabe seu abraço seja o meu corpo
assim sozinho...
E o seu beijo os meus próprios lábios
E ele seja só miragem
Imagem das minhas idéias

E quem sabe assim
só assim eu possa explicar
Porque ele me tem tão fácil
Porque eu sou tão ele

Bruna Lemos

Ciúmes


Eu imagino os "eu te amo" que tu já disseste
E odeio que tu saibas falar

Penso nos rostos que tu admiraste
E odeio que tu possas enxergar

Eu sonho com as bocas que tu já beijaste
E odeio não ter sido a primeira

E então ouço meu nome... e não sou eu
E eu odeio a mim mesma



Bruna Lemos

terça-feira, 20 de maio de 2008

Versinho da saudade...


E o dia amanheceu calado...
E o sol acordou escuro...
E o vento soprou fraco...
E o galo cantou baixo...
E o dia passou rápido...
E o sol se foi.
E o mundo rodou devagar...
E a lua nasceu sem querer...
E o homem olhou sem saber...
E a terra continuou parada...
E a porta não se abriu...
E o dia sumiu...
E o povo dormiu...
E o fogo apagou...
E a água secou...
E a noite esfriou...
E o dia passou...
O dia passou...

E você não chegou.


Bruna Lemos – 13.11.2003

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nem nada...

Nada habitando a mente
Nenhuma gota de paz ou de medo
Nem sensação de dor ou desespero
Nem coração, amor ou exagero...
Nem nada.

Nenhuma lembrança recordo
Nenhum momento ou ser que me inspire
Nenhum chorar ou sorrir que me atire
Ao caos da alma pra que algo crie...
Nem nada.

Nenhuma raiva agora
Nem ódio grande que me corte o corpo
Nem porcos sujos pra que eu sinta nojo
Nenhum palhaço me deixando louco...
Nem nada.

Nem mesmo você
Nem de tua voz lembrando agora escrevo
Nem o teu beijo em minha boca desejo
Nem teus cabelos por entre meus dedos...
Nem nada.


Bruna Lemos- Set. 2004

A água, o fogo, a terra e o ar por ti...

Oh água delicado espelho
Que embeleza e limpa as frágeis peles
Que mata a sede, a dor e o desespero
Que por minha boca à alma sempre desce...
Leva em correntes turvas e ligeiras
Os meus recados junto a flores belas
E faz-se tu minh’àgua mensageira
Leva meu ser em ti pra perto dela.

Oh fogo insano traidor
Que com calor aquece meus pecados
Que faz-me quente mas não mata a dor
Levas também tu o meu recado...
Tu que com luz em si projeta a vida
Espalhe-se onde rápido consegues
E se quiseres me curar ferida
Queima a saudade que a meu corpo fere.

Oh terra amiga solidária
Que em seus caminhos me faça seguro
Que encontre em tu determinada área
Para viver com ela em mesmo mundo...
Tu que de grande me separas dela
E me destrói em vida os sentimentos
Faz de minha estrada pouca vista bela
E não me leve só em pensamento.

Oh ar suave e refrescante
Que com sua brisa me dá fácil sono
Que diminui o tempo incessante
E faz de minha própria vida o dono...
Que tu também leves minhas mensagens
E em teu vento ouça meus recados
Olhando amores de tuas paisagens
Diga-lhe o quanto ainda a tenho amado.

E tu que me assassina o peito
E faz de mim amante à madrugada
Que do passado à diante vive o meio
E me entristece e alegra com palavras...
Ouça os recados que te vou mandando
E me responda, faz-se apaixonada
A água, o fogo, a terra e o ar levando

O mais sincero amor à minha amada.


Bruna Lemos - Dez-2004

Olhos de fogo


Olhos de fogo queimando a alma
Lágrimas quentes a rolar no rosto
Olhos de gelo congelando o sangue
Lágrimas frias a molhar o corpo...

Olhos distantes que não vejo mais
Olhos sombrios cobertos de dor
Olhos que lágrimas já não mais caem
Olhos fechados para não ver o amor.


Bruna Lemos - abril 2004

Mãos que pensam


Pedaço de papel na mão
Caneta azul meio falha
Palavras a sair do coração
Cabeça aberta que não cala

Dedos postos para lutar
E para dizerem o que sinto
Letras voando no ar
Cérebro que chega ao infinito

Tudo que sei é o nada
Já não sinto mais o tudo
Mas se minha escrita pára
É por que já não sou desse mundo.


Bruna Lemos