quinta-feira, 8 de maio de 2008

O que é a paz?

Onde ela se escondeu?
Está nas grades do condomínio

ou nas portas trancadas de uma casa?
Está no medo de andar na própria rua

ou nos vidros fechados e nas travas?

De que país é a paz?
Que sangue corre em suas veias?
Ela é branca como o homem que domina
ou é negra como o eterno escravo?
Seus olhos são puxados como a bomba de Hiroshima

ou são azuis como o tio San descontrolado?

Qual a religião da paz?
É judia como os 6 milhões de mortos,

é mulçumana como o homem- bomba
ou é católica como a inquisição?
A paz é o “sim” ou o “não”?

Qual seu sexo?
É homem como os soldados mortos nas guerras?
É mulher como a violência doméstica?
É hétero ou gay e morre por ser

ou vive fingindo só pra não morrer?

Qual a sua idade?
Ela é criança como as de rua
ou como as da exploração?
É adolescente como os do tráfico
ou como o ladrão?
Ou é adulta como o pai de família desempregado?
Ela é idosa como o abandonado, o sem saúde

ou o sem passado?

A que classe ela pertence?
A ignorância rica ou a pobre ignorância?
É a cobiça ou a ganância?


A paz é viva ou já morreu?
Foi seqüestrada, assaltada, roubada

ou simplesmente desapareceu?

A paz mata em nome de Deus?
É preconceituosa ou assassina?
Ela matou os pais como a menina rica?
Ela cortou os próprios pulsos, foi presa?

É o menino que perdeu a infância
ou a menina que perdeu a pureza?
Ela é muito cara ou sou eu que não mereço?

O que ela é que eu não conheço?
Bruna Lemos

Um comentário:

Samuel Moura disse...

Eu sabia que você escondia coisas boas...
tenho olho bom para isso!

Adorei!
Bem abrangente, simples, claro e objetivo!
Ele é bem reflexivo, tipo da leitura que não há como não pensar sobre...
Muito bom Bruninha! Escreva mais e mais...
Parabéns!

Beijos